Maritacas
Desacelerar tem sido um desafio constante. Eu me considero uma pessoa detalhista e observadora mas esse negócio de não viver no automático e observar de verdade as coisas é um passo além.
Nesse exercício eu tenho muitas vezes ido pra janela e fico olhando o movimento da rua, árvores balançando e alguns pássaros que dão o ar da graça. E justamente hoje fiquei acompanhando uma dupla de maritacas VIVENDO FERVOROSAMENTE, dando rasantes e voando ao redor de árvores do quarteirão do meu prédio e na rua da frente, obviamente também estavam berrando DESESPERADAS e eu lá: sossegado, assistindo os bichos fazendo as coisinhas de bicho deles.
Fiquei pensando desde quando eu sei o que são maritacas. Lembro que na escola que estudei praticamente minha vida inteira tinham castanheiras e mangueiras enormes que eram casas de famílias de maritacas e toda manhã e fim de tarde era comum ouvir a reunião do grupo.
Quando estive em Manaus andando às margens do Rio Negro vi a revoada mais impressionante da minha vida, com centenas delas voando de uma árvore para outra a ponto de dar pra confundir o que era folha e o que era pássaro.
E hoje, inspirado por essas duas lembranças fui pesquisar sobre maritacas, mas fiz do jeito que fazia antigamente: pesquisando no google e abrindo um site.
Engraçado isso ser a referência de antigamente, acho que falar sobre enciclopédias é uma ótima ideia pra um post futuro
E nessa pesquisa descobri umas coisas legais: aprendi que elas gritam pra se comunicar ou quando estão entediadas/estressadas (ora ora, se não parecem humanos). Também vi que embora sejam parentes do papagaio uma grande diferença é que elas se adaptam muito melhor às áreas urbanas, que costumam viver em bandos e que podem se sentir solitárias (de novo parecidas com o ser humano). E por fim, aprendi que tem uma empresa chamada maritaca.ai que desenvolve modelos de IA nacionais e modelos de linguagem em português! 🇧🇷
E enquanto assistia esse bate asas da dupla comecei a pensar em como as cidades mudam com o passar do tempo e nossa memória é tão curta que depois de alguns meses nem sabemos mais o que mudou: a casa que virou prédio, a loja que virou farmácia, a árvore que virou um buraco no chão. E tem mudanças que são boas, que trazem progresso, que ajudam pessoas mas tem mudanças que só… são. São feias, são inconvenientes, são caras e provavelmente… passageiras.
“Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão… Eu passarinho!”
Mário Quintana